20 de Maio de 2009

really?

26 de Março de 2009

15 step

How come I end up where I started?
How come I end up where I went wrong
“São quinze passos para começar, são quinze passos apenas, para que chegue até ti a ventania que te carregará para longe”, tinha 11 anos quando escutei meu avô me sussurrar isso. Estava deitado em uma rede quando vi que algo estava errado, vi que sentia dores, mas ele me pediu para não chamar ninguém e me disse aquilo. Logo depois foi a correria, a mãe e tias, gritando “ataque caardíaco” e contrastando com a cena os olhos azuis e macios do meu avô me olhando com um um sorriso leve. Ele se abandonava. Era o que ele estava me dizendo sem uma palavra. Meu avô era um comerciante, não um escritor.
Durante algumas semanas quiseram me imputar uma culpa por não ter chamado ninguém quando percebi que algo não ia bem. Mas carreguei de silêncio as minhas reações aos murmúrios feitos atrás das portas, aos berros, e mesmo com ódio aberto. Comecei a carregar comigo uma marcha de desabrigados, um colo sujo, feito de emoções torpes ou adestradas, de uma dureza sem par.
Satisfazia o protocolo familiar do esquecimento da morte, o luto, quando me sobreveio mais uma morte, e dessa não falo, por que nela também não conheci culpa, mas de novo fui testemunha.
Apesar de acontecimentos adversos, era uma criança normal que pensava demais na morte, sem querer morrer, e reinterpreteva cem vezes o que meu avô disse enquanto morria, e não convivia com nada que pudesse me envolver realmente.
Eu crescia, e comecei, à medida que esquecia o que meu avô havia dito, a tomar partido, eu já conseguia ter meu pai e minha mãe, eu tinha irmãos, e frequentadores. Eu sabia o que seria quando tinha dezesseis, por deus, eu já estava morrendo. 
E um dia, nove anos depois, assim como qualquer outro dia, tomei o café, de cenho franzido, sem mencionar nada do que me alimentava ou pensava, e escutando brevemente a voz de meu pai repetindo que havia mudado, pude ter tempo de lamentar minha mudez adulta, que não podia se desculpar sem que algo por dentro se decepasse. Pensei: foram os 15 passos.
Eles de nada sabiam, não desconfiavam, mas se soubessem, se ali falasse, apenas espicaçaria a vontade deles de me demover de tudo. Eu queria deixar a minha mãe lavando a louça, meu pai mexendo o relógio parado há dias, sentia que se dali saísse e voltasse a qualquer hora, encontraria a mesma cena, como se ali fosse um museu de cêra. 
Saí pela porta, distraída, fui até a rodoviária, paguei uma passagem, a mais cara, para qualquer lugar que o vendedor escolheu enquanto me olhava como se fosse louca, desci em uma grande cidade e comecei a trabalhar em um bar. Eu não estava morrendo, como pensava aos dezesseis, estava procurando manter meus olhos fixos no brilho.
O brilho para mim era ter descoberto que meu avô não tinha me dado um aviso ou uma sentença, ele apenas sabia que um dia o que me levaria embora seria um sopetão, uma ventania de promessas -que sempre nos acometem- quando percebesse que me enganara quanto a estar morrendo, quando de mim saísse o cheiro de cêra, quando me demitisse do cenário da família. Em quinze passos refaço a vida inteira... e não sabia se teria mais 15. Havia me apaixonado sem saber se era correspondida, e a vida era uma amante vadia, mas me espreitava a todo momento.
Começava uma vida de trabalho, e o trabalho era uma rotina necessária, havia períodos de folga curtas, e quando arranjei mais um emprego à noite, restavam idas solitárias ao cinema e às praias próximas. Andava como se todos estivessem atrás de mim, em alguns momentos, via setas vermelhas saindo de alguns olhos apontando para diversos lugares, mas em nenhum deles eu estava. Eu não permanecia na gerência de afetos pendentes ou mesmo permanentes. Eram apenas quinze passos para refazer a vida inteira... Os anos iam passando e eu já havia contado sessenta.

24 de Março de 2009

flashback of a fool- If there is something

">

6 de Março de 2009

sua peruca melhora o meu olhar

ARTE DA FUGA (FALSO ERUDITISMO DA VIDA)

Você trabalha todos os dias. Todos os dias você se levanta e cumpre uma rotina espartana. Acorda cedo e dorme tarde, roubando alguns minutos de lazer dos dias da semana. Você assiste uns três filmes por noite por que não consegue dormir. Havia um tempo em que isso tudo seria até mesmo impronunciável, mas você está longe de casa, você não conhece ninguém, você não tem tempo para os amigos. Você lembra com saudade, mas sem remorso, do que deixou para trás, você escreve linhas tortas com recados pequenos para seus avós, primos e irmãos, dá um telefonema mensal para os pais. Aos finais de semana você caminha sozinha, entra em algum bar toma uma cerveja, duas, três, joga uma partida de sinuca. Você tem conhecidos. Em algum lugar de algum armário na sua cidade, você escondeu algo. Você não lembra mais, esparsos são os sorrisos que lhe vem a memória, o contato já escapou no esquecimento, mas sente faltar algo. Você caminha como se tivesse esquecido a chave, e você confere o bolso: lá está ela. Nada falta.

10 de Fevereiro de 2009

My Iron Lung (Heart)

The head shrinkers
They want everything
My uncle Bill
My
Belisha beacon
The head shrinkers
They want everything
My uncle Bill

My Belisha beacon

Você amanhece, os olhos atravessam as grades que protegem a janela, ou você, ou a casa, do mundo inteiro. No mesmo dia mais cedo, pôde caminhar até o que não podia, fora necessário parar por conta da fome e da tontura, para simplesmente poder olhar a grade da janela mais uma vez, nesse momento. Tão simples assim.

Todos os risos largados na mesa de um bar com o nome obliterável, assim como quase obliterados foram todos os mínimos fatos do mesmo dia (mais cedo). E você lembra apenas aquele que quase mudara o destino das águas: por acaso o seu psiquiatra também de férias na mesma cidade que você resolvera dar um alô. Quatrocentos bares-cafés e fora ali através dem uma janela embaçada que ele vira a sua silhueta e resolvera que devia cumprir obrigações sociais para com você.

Nesse momento, disseram adeus: rivotril, citalopram, benzodiazepínicos, estabilizantes… Quando a medicina entrava no terreno do recreio ela abandonava também o controle de qualquer “cura”. Ele ali parado, bonachão e simpático, enquanto aquela inocente caneca  de café nas mãos, fervendo e deixando o nós dos dedos brancos de tanto apertá-la, não fazia mais sentido  e você não sabia se devia devolver os cumprimentos do seu médico ou fechar a boca…você preferiu dar mais um gole no café e chamar o garçon e iniciar mais uma jornada sem fim através dos graus etílicos mais absurdos: gim, vodka, rum…tira-gosto com Sauza, sal e limão, e para hidratar, cerveja. Daí, antes de toda essa festa-monstro, convidara o doutorzinho para um trago, algo assim, que lhe faria se sentir destituído do cargo, da vida, da profissão, da esposa, da qualidade de vida, carreira de sucesso, gazebo, etc; convidara com calma e saboreando as palavras com a sabedoria adquirida nos anos de convivência com o  álcool: uma bebida pesada, doutor? Um gim puro? odeio gin-fizz, doutor, ele é o que Phill collins é para o pop, doutor: fraco, doce, comedido, medroso…doutor?

Nessa ordem, como fizera há anos atrás, anos sem que o seu médico tivesse a descabida intenção de misturar o terreno dos afetos, resultando daí a labiríntica crise de volta à bebida e às outras coisas que lhe auxiliriam continuar no dia seguinte com a jornada, uma dormida em um canto qualquer, em um quarto qualquer, os desconhecidos, as gargalhadas gratuitas, a carnéia…levantar-se (stand up!) era a duração da rotação da terra sobre si mesma, o tremor lhe fazia se arrastar para aquilo que deixasse tudo o mais próximo possível do “In Its right place”. Antes de enfrentar a total compreensão da família em adiantar os acontecidos da noite ou o dia passados longe, o que fizera…aquilo soara em ritmo, martelando, tornando a sua cabeça o último lugar habitável para qualquer pensamento coerente… Uma orquestração entre atonia e distonia,  palavras  e sons sincopados, suficientes para prostar um rinoceronte em fúria: toda a minha improvisação atonal.

Hes been hanging around for days.
Comes like a comet,
Suckered you but not your friends.
One day hell get to you,
Teach you how to be a holy cow.

Dont get my sympathy hanging out the 15th floor.
Youve changed the locks 3 times,
He still comes reeling through the door.
And soon hell get to you,
Teach you how to get to purest hell.

You do it to yourself you do
And thats what really hurts is
You do it to yourself just you,
You and no-one else
You do it to yourself.”

my iron lung

29 de Janeiro de 2009

cocaine song...

Todos na mesa à espera, as ruas vazias a comida está posta. É 1976 e eu não tinha nascido. Na rua algumas crianças teimosas ainda brincam. É silêncio, o musgo da parede da casa do meu avô cresce, o quintal é farto de arbustos e flores. Um cenário retrô e idílico, só para ele, para os filhos e para os netos.

Ele sentava à cabeceira da mesa como os grandes patriarcas. Não sei se delirava ser Napoleão, Dom João..não sabia ele, com certeza, que com ele ia também o patriarcado. Os agregados, dependentes e aderentes em fuga adoidada pelos becos, como se fugissem de dívida antiga cobrada à porta, sumiram assim que ele morreu. A avó que sobreviveu a ele, perdida ainda nas pequenas coisas da casa, pulso nenhum para patrimônio, economia, ou números a não ser que a conta sempre aberta da taberna valesse, foi vendo as coisas serem vendidas. Só não viveu suficiente para ver a casa do patriarca cair; se ainda fosse viva, ali era o golpe de misericórdia. A despeito da morte do meu avô, aqueles, que por ousadia ou por falta de recurso, nasceram, talvez tenham superado a expectativa do velho se ele ainda estivesse aí para ver. Não sei se para bem ou para mal, os sobreviventes todos se encaminharam, mas a família mingua. Ainda bem? Uma família de um século, cansada. Ainda em tempos outros, com os valores adormecidos no sono de como mundo deveria ser (não como ele é)… quando nasci o que podia querer? Minha maior satisfação talvez sela cantada assim: “I’m so glad to get my own, so glad that i can see, my life is a natural high, The man can’t put no thing on me“…nem ideologias, amigos, nem afetos. Quem manda sou eu. Os netos nascem, ele morre. Essa é a lógica. Essa foi a maior herança que o velho deixou. Que as coisas tenham o dom de suceder, sempre.

27 de Janeiro de 2009

Foristas do mundo e seus hábitos exóticos.

Enquanto o casal multipoliétnico Jolie-Pitt não chega, as inscrições são feitas, e os acampamentos são montados. Ainda é possível acompanhar sem o riso contido a variação da cena entre woodstock ou campo de batalha de alguma guerrilha motivada por alguma ideologia estranha. O fato é que baixando um pouco as expectativas do fórum, o que se pode ver é um mar de estrageiros vindo de todas as partes, sikhs, evangélicos proativos, aborígenes, ciclistas do tour de France, doutores em economia, em história da África, feministas com buço, hippies conservados em galões de formol, surfistas, skatistas, normalistas, freiras da pastoral, índios, clones do Che Guevara, clones do Stálin, do Lula e até da Condoleeza Rice; estudantes, donas de casa entediadas, deprimidos, ex-viciados, viciados, suicidas,padres da pastoral, padres a favor do casamento homossexual (tá a gente já sabe que ele aprovam a idéia que os padres possam contrair o matrimônio), lulus, ativistas do  (ca) PETA, vendedores de churros, policiais não uniformizados, naturalistas, gregos, troianos, baianos, GLBTS, anarquistas, anistiados, golpistas, tradutores daquele dialeto da logínqua tribo que habita Papua Nova-Guiné, os cotitas, fofoqueiros, ativistas pelos direitos dos afrodescendentes, ex-assaltantes de banco,o seu cabeleireiro,___________(complete aqui).


Hábitos observados:
Ao chegar ao acampamento é claro que você precisa se adaptar:
-Os banheiros não funcionam.
-Os chuveiros não funcionam.
-As pias não funcionam.
-Você pode usar o reservatório dos patos e gansos para sua higiene pessoal (mas se aconselha a não beber dessa água).
-Se você por acaso conseguir usar os banheiros seja qual for a necessidade, parabéns, no entanto, saiba apreciar seus momentos de SORTE; eles não acontecerão com frequência na sua vida.
Conselho: relaxe, você está entre pessoas que compreenderão a falta de higiene a partir de outro prisma, além do mais considerando que essas pessoas vêem tudo a partir de “outro prisma”, convença-se de que gente limpa não é muito atraente. Esqueça o desodorante, acorde com os pássaros, cuspa no chão, durma cagado…dormir pelado “podche”? Podche também, risque da sua lista palavras como depilação das axilas, buço e virilha.O dresscode é simples, chinelos de couro (havaina nunca, elas são vendidas nos aeroportos como produtos de exportação nacional, símbolos de modismo, favor não contribuir para qualquer mercado internacional de produtos estritamente nacionais.) para todos;  para as meninas: vestidos, saias, bustiês, batas todos feitos de renda tecida pelas velhas rendeiras do interior do Ceará; para os meninos: bermuda. Sem cinto.
Bebidas baratas são encontradas sempre perto de você; mas você só saberá que são baratas no outro dia.
Perfume do verão:… (patchouli, somente para os diretores de ONG’S)
Acessórios: vá ao museu ou a bosque local, caçe algum bicho com penas exóticas e tire apenas as penas do rabo, deixe as outras para o bichinho voar. Utilize as técnicas aprendidas naqueles 14 cursos de artesanato  e bijoux que você fez. Enfeite-se; mulheres e homens com acessórios vistosos são sempre um deleite para o olhos. Lembre-se ser natural é o newblack.

22 de Janeiro de 2009

A natureza das coisas é artifício.

Você descansa à tarde. Descansa na varanda de sua casa, no sofá, tirando um cochilo, na hora do trabalho, abaixando a cabeça entre os braços na frente do computador. Descansa também quando alguém fala demais e não diz nada, por que você sabe que não precisa participar do falatório, trata-se de um monólogo em que você só precisa prestar atenção ou simplesmente dormir. Você escolhe a segunda opção por que é sábio e compreende que nada que seja importante, pode demorar mais de meia hora para ser dito. A tautologia é feita para o deleite da sua intimidade, não para que os outros a apreciem.

Agora você pode encostar o queixo na mão e balançar os pés; você pode se lembrar da ética das relações e você também pode lembrar que isso é uma mentira. Você pode se acostumar com o zunido de um ar condicionado, tanto quanto se acostuma com a presença de alguém ou da insistência em parecer importante enquanto fala.Você simplesmente não liga, mas abana a cabeça parecendo acompanhar. Você parece acompanhar por que a varanda à tarde existe e precisa existir para que se descanse, para que se tire um cochilo, para pensar em nada e observar os insetos.

enough is enough.

Você corre maratonas. Maratonas são coisas estúpidas, você pode correr para ganhar, mas 90% corre por participação. Mas corre. Inicia a corrida, já se sabe o percurso, estima-se o tempo, como idiotas. Para não chegar a lugar algum, ou melhor, a lugar algum que surpreenda.
Tem os dias em que você sai correndo… você sabe que pelo volume de desespero, e de suor: você está em uma maratona, você só não sabe onde nem quando vai chegar.
Mas tem um dia em que você começa a dizer chega para aquilo que se repete e repete, como aquela maratona que você participa todos os anos e coloca o número na blusa. Todo ano. Em algum dia você vai acordar “not in the mood” e perceber que você encara a maratona à toa. E você simplesmente desiste. Apenas veja a penúltima cena do “Revolutinary Road”. Chega de mazela.
É melhor começar a viver.

18 de Setembro de 2008

in the mood of love

o amor às vezes pode ser uma lembrança fosca, esquecido no banco de trás de um táxi. Uma possibilidade que começa e termina no caminho de volta para casa. E continua o amor. Alcançá-lo é como viajar a 2046, onde todas as lembranças estão. Só não se sabe quando e onde a viagem termina. E já se esqueceu quando ela começou ...in the mood of love.
Bom às quintas.

à tarde

"pode-se ir, deve-se ir"

2 de Setembro de 2008

Suicide Underground

Essa bela história, que fala do isolamento sofrido pelas irmãs Lisbon (e por que não de muitas garotas que já tiveram 13 anos um dia) devido ao superprotecionismo dos pais, e o conseqüente suicídio das garotas, já é um pouco traumatizante. Só não é mais por que existe uma boa direção que envolve o filme em uma atmosfera bem primaveril, suspirante, suave até.

No entanto toda a perspectiva da direção é seriamente abalada por conta da participação bombástica de uma personalidade na trilha sonora.

A música suicide underground, feita pela banda Air para o filme, é simplesmente apavorante. Na realidade parece que Michael Myers acordou muito pensativo nesse dia e eis que se sentindo sufocado pela máscara, e pelo mutismo religioso, resolveu dar um tempo na profissão de psycho boy e ter uma perspectiva mais ampla no horizonte, variar de ramo, agregar funções, sabe? E assim surgiu essa ponta de narrador oferecida pela banda Air. Que bom que o cara começou com o pé direito, já trabalhando em trilha sonora de filme cult… o que será daqui a mais 30 anos? Antes de tudo sugiro mudar o gênero do filme para “slash movies”.

Suicide Undergound
by Air

Everyone dated the demise of our neighborhood from the suicide of the Lisbon girls.
People saw their clairvoyance in the wiped-out elms and harsh sunlight.
Some thought the torture tearing the Lisbon girls pointed to a simple refusal to accept the world as it was handed down to them:
So full of flaws.
But the only thing we are certain of after all these years is the insufficiency of explanations.

“Obviously doctor, you’ve never been a thirteen year-old girl.”
The Lisbon girls were 13, Cecile, 14, Lux, 15, Bonnie, 16, Mary, and 17, Therese.
No one could understand how Mrs. Lisbon and Mr. Lisbon, a math teacher, had produced such beautiful creatures.

From that time one, the Lisbon house began to change.
Almost every day, and even when she wasn’t keeping an eye on Cecilia,
Lux would suntan on her towel wearing a swimsuit that caused the knife-sharpener to give her a 15-minute demonstration for free.

The only reliable boy who got to know Lux was Trip Fontaine
For only 18 months before the suicides had emerged from baby fat
To the delight of girls and mothers alike.

But few anticipated it would be so drastic.
The girls were pulled out of school, and Mrs. Lisbon shut the house for maximum security isolation.
The girls’ only contact to the outside world was through the catalogs
They ordered that started to fill the Lisbon’s mailbox with pictures of high-end fashions and brochures for exotic vacations.

13 de Agosto de 2008

Enquanto isso em Beijing

“Comer de bandeijão na vila olímpica é uma experência única. Essa é a minha Beijing”

Ass: Alvaro Garnero

(as olimpíadas são uma fonte eterna de piadas)

19 de Dezembro de 2007

o bom filho

Control
Foi uma longa espera. Nem mesmo a falada “Touch from a distance”, biografia de Ian Curtis, matou a sede. Afinal o hiato entre essa publicação e a elaboração do filme foi grande. Eis que em uma tarde dessas, na rotina moura de trabalho para fazer, recebo a notícia que o control estava na internet. Para não dormir, devido ao cansaço, assisti “Control” sentada (nunca faço isso).
A fotografia de Corbjin ajuda na sensação de sonolência: o preto e branco impiedoso, agravando os traços e as sombras; quase pintura. A trama já está mais do que sabida, mas o ator que faz o papel de Curtis é de uma minúcia fantástica. Não vamos esperar um alcance divino de todas as nuances da vida do morto, mas é espantosa a atuação.Dizem que alguns atores são amaldiçoados pelos papéis que fazem bem. Acho que é esse o caso. Dificilmente alguém olhará para Sam Riley sem se remeter a Ian Curtis, mil desculpas.

A outra personagem brilhosa da trama é a cidade de Manchester, que por si só dá uma boa história para fãs, mas entedia a todos que não conhecem sua importância. Curtis tem seu lado pop, assim como teve um história excêntrica: trabalhar com pessoas desajustadas em um centro de reabilitação social não é nada glamouroso. Mas traz a exata idéia de que naquele momento, rock’ n’ roll se fazia na unha e no suor ( e na cara de abandono). Ali, bandas e um pequeno cenário conseguem ter força para ramificar uma das tendências do punk e do rock: surge o Joy Division, a Certain Ratio, The Fall.
Quanto ao filme, à narrativa em si é coesa e simples. Não é um filme bem-humorado como “24 hours party people”, é filme quase documental, diria até mesmo…pedagógico. Mas o fabuloso trabalho de fotografia e a sonoridade estupidificam os mortais com menos de 30 anos, aposto.
Eu não tinha um bom motivo para voltar a escrever aqui. Muito ao contrário. Continuo no lápis e no borrachão mercury. Sem nenhuma vontade de trancrever as coisas que já escrevi no papel . Mas eu assisti o filme e a coragem do personagem Ian Curtis, a vibração de
quem quer fazer aquilo. que quer de qualquer jeito, mesmo que não seja do jeito certo,mesmo que o “presente esteja fora de controle”, mesmo que não se saiba o que acontecerá, essa urgência, me animou.
Fico contente de ter assistido e principalmente de não ter que esperar uns bons dois anos para o filme chegar aqui na roça.
E volto a escrever aqui, como estarei sempre escrevendo por aí, ou em outro lugar.

17 de Fevereiro de 2007

Eita

Eu entendo agora por que existem pessoas que passam os cinco dias de carnaval socados dentro de um cyber jogando. Pena que eu não tenho disposição e nem preparo intelectual para isso. Admiro.

30 de Dezembro de 2006

Eu, você, todos nós.

Simplicidade. Consciência de que relacionamento, convivência são excludentes em alguns momentos. Não há por que brigar por isso. Os sonhos (a assustadora garotinha e sua arca contendo seu enxoval para daqui a 20 anos; eletrodomésticos- já peças de um museu de sonhos e tiques, paralisados no tempo como um tesouro ainda a ser vivido) e todas a "tolices" pessoais a serem retidas mais do que vividas através das fotos ou de um relacionamento na internet.
Transformados os modos de percepção, desdobrados em algo que não alcançamos e muito menos podemos controlar, memória e e duração são colocadas em cheque. Os relacionamentos não virtuais são tão circunstanciais quanto os da internet, uma subjetividade estranha emerge. O que permanece é a tendência frágil de narrar para poder reter qualquer coisa, um sentimento que seja, uma história ao menos. Se imagens estáticas não significam nada até que ganham vida através de uma narração, de um pequeno conto em que as pessoas nas fotos são como personagem de uma fotonovela que trazem de volta o sabor de relações em que os sentimentos são vividos ( e por que não dramatizados, e por que não cheios de clichês) e não castrados. Que assim seja a arte contemporânea e que pelo menos o cinema nos dê isso de presente.

E que o ano novo seja como esse filme.

Qualquer coisa, uma paciência quase sepulcral que lhe fazia observar através da janela o burburinho maçante da rua ou a vassoura correndo pelo chão nos momentos mais quentes do dia. Não haveria ali mais sombra dela própria. A não ser quando estivesse diante de uma magnífica música ou tivesse sentido a correta tepidez à medida que o dia seguia . Outras vezes, não raro, estendia-se muda sentindo a modorra, e a tepidez virava uma sensação abusiva de desuso.

Havia muito que se habituara. Como as teias que não assustam mais quando nos deparamos com elas atrás dos móveis. Se havia sentido rítmico naquelas vidas, faltaram em não lhe dizer…já havia passado anos desde dia em que encontrara a primeira teia atrás de um móvel velho….e dali em diante não mais sentira repulsa, tampouco surpresa; as teias iam se acoplando enquanto tentava envelhecer sem se perturbar; envelhecer sem que pendesse para uma loucura miserável, pois era assim que todos esperavam. Que ficassem as teias. Que o costume do tecido permanecesse. Roto.

Mas não havia muito a fazer. Mesmo se houvesse um outro destino mais nobre do que esperar à porta. Se advogasse causas que salvassem a dignidade dos outros e que engrandecessem decerto sua vaidade (e qual outro motivo haveria senão a própria vaidade), ainda assim não deixaria de usar o costume roto e ainda vestiria uma máscara. Esperaria à porta aquele dia. Passaria lenta pelo corredor até alcançar o corrimão da escada, não sorriria; era algo que o tempo fazia dispensar. Como uma vantagem. Falaria calmamente o que havia feito, tentaria não pensar na inutilidade do gesto de carinho, tentaria não pensar na imposição daquela figura à sua volta, ali ao seu lado, tentando substituir-lhe a vontade, dividí-la na sua atenção até que se encerrasse na calmaria da tv. Era hora do café. Lembrava-se de ter sempre pouco pó, pois é sempre necessário ter um alíbi apropriado para sair à rua àquela hora. Precisava de uma seqüência astuta de gestos: a concentração dele, o balançar de cabeça concordando com seu motivo para sair sem tirar os olhos da plácida tv.

Abria a porta que dava para a escada.

3 de Dezembro de 2006

Tindersticks.

Stuart Staples, vigor nas sensações.

A banda Tindersticks, me acompanhou, durante aproximadamente 10 anos (e continua até hoje). Desde a primeira vez em que um amigo me apresentou um belo albúm, com uma capa perfeita e delicada (The Curtains), fiquei aprisionada. Antes de projetos gráficos evidenciando cuidado e boas fotos, existia aquele combinado ora sutil como um sussurro arrependido, ora explosivo como uma raiva bem guardada. Me dou ao luxo e ao prazer de escolher a minha música preferida da semana, do momento, da tristeza, da empolgação, da angústia, da tranqüilidade, da resignação... simplesmente abro os ouvidos e me exponho a todas nuances de sentimentos que essa banda é capaz de elaborar musicalmente, e pode ter certeza: é o tipo de vulnerabilidade completamente segura.

Li esse artigo aqui do Luciano Viana e fiquei pensando, é realmente por isso? Será que as pessoas realmente procuram músicas para se deprimir ou a própria tristeza pode ser diversão? Claro que o tom da nota feita por ele em ocasião da saída de "Waiting for the Moon" (2003) não vinha para refletir sobre nada. Para resumir tudo, é bom criar o estreótipo e assim se tem uma pauta cumprida com sucesso. Eu só acho que é uma banda difícil de pensar a partir de padrões "há hits-bom!", "não há hits-pois é diferente do albúm anterior-fraco", coisas que não se aplicam aqui.

Foi uma das primeiras experiências com música que me fez entender o processo de composição de uma banda, pois eles são honestos, extrovertem as intenções sonoras (mesmo que não entenda nada de técnica musical), explanam sem receio que a maneira como compõem é lírica, subjetiva; passei a semana pensando e ouvindo Tindersticks em um desses momentos que você está no processo de defesa "paralisar & fingir de morto" e eis que

"Let’s take a ride, say goodbye to the city
I’ve been here so long – I can’t see it anymore
I’ve been here so long – I can’t feel it anymore

So get in the car, babe – you know that it’s alright
Get in the car, babe – we’re gonna see ourselves tonight

When we’re on the outside – it’s so hard
There’s never an easy way – there’s nothing in this world
When we were on the outside we had something going on,
Something beautiful, something that they can’t spoil."


Tocou. Compreendeu?

23 de Novembro de 2006

Pausa no Silêncio


Tindersticks, Beaubourg-France (2001)

Para lembrar que existe beleza, até mesmo quando estamos sem paradeiro.

Drunk Tank

How are you doing tonight?
Pull the blankets tight
The drunks shout outside your window
Light scrapes across your wall
Think of me
It never goes away
Think of me, I know
It never goes away

How are you doing tonight?
I don’t wanna fight
Just walked these miles
To be passing by
Just to say
That I’m okay
For you to see the state of me
I know I said
We’d better get home to bed
And I was the one
I always stayed out so late
Always forgiving
My inconsideration
It’s a different story
When you can never go home again
I’m home, home again

My hands came back today
Finally set themselves free
No more fists on the end of my arms
Just these hands, trembling
Think of me
It never goes away
Think of me
The way I used to be
I know I said
We’d better get home to bed
And I was the one
I always stayed out so late
Always forgiving
My inconsideration
It’s a different story
When you can never go home again

I’m home, home again